Indústria 4.0 no Brasil – Tendências de Mercado

Mercado

Para entender o que significa ou representa o conceito de indústria 4.0 é preciso antes contextualizar historicamente a revolução industrial.

Em resumo, a primeira revolução se deu em meados de 1760, marcando uma transição entre o sistema feudal da época para o começo do sistema capitalista, na Europa. Com a chegada das primeiras tecnologias, a maneira como artesãos e artesãs produziam em casa mudou, e as produções foram transferidas para as fábricas. A tecnologia provocou transformações sociais e econômicas, mudando a forma de trabalhar.

A medida que novas tecnologias e ferramentas produtivas surgiam otimizando o tempo de produção, a industrialização foi ganhando espaço e expandiu sua atuação para outros continentes. Com isso, o ano de 1850 fica marcado como o início da 2ª revolução industrial onde o carvão, a energia a vapor e o ferro deram lugar a eletricidade, o petróleo e o aço. O que começou na Inglaterra se espalhou pelo continente Europeu, rompendo fronteiras chegando ao Japão, Rússia e Estados Unidos.

Nessa nossa breve contextualização histórica estamos a um passo da internet. Isso porque a 3ª revolução industrial se dá no século XX, e é marcada pela tecnologia da eletrônica misturada com a informática e finalmente com a descoberta da conexão de rede, internet. Tudo isso logo após a 2ª guerra mundial.

Finalmente chegamos a 4ª revolução industrial ou indústria 4.0. Não há registros oficiais que definem uma data formal para o começo dessa 4ª revolução – afinal a velocidade com que a tecnologia tem avançado é muito grande – mas muitos estudos estão em torno de quando essa fase transitória, da 3ª para a 4ª, começou.

O que antes demorava literalmente um século para se concretizar, atualmente em menos de meio século acontece. Saltamos da internet discada para a tecnologia 5G; ouvimos falar sobre blockchain, transhumano, big data, IoT, IA, robótica, bots virtuais, robôs que trabalham como atendentes em loja, machine learning… Mas, quando tudo isso começou? Não sabemos ao certo, mas o objetivo é entender o impacto daqui pra frente.

Indústria 4.0 – Tendências para o mercado nacional

O objetivo de todas as revoluções industriais eram otimizar tempo e dinheiro, melhorando processos e tornando a cadeia produtiva mais eficiente do ponto de vista da economia.

A grande diferença nos dias atuais é que, dentro dessa preocupação quanto a otimização de processos, os gestores correm para tornar as fábricas mais inteligentes, deixando a linha de produção de ser o foco único para se tornar parte do todo. Em outras palavras, o investimento em tecnologia não está mais exclusivamente no “chão de fábrica”, mas também nos escritórios. Afinal, está cada vez mais difícil analisar tantos dados, em especial em grandes corporações. Ou seja, investir em ferramentas digitais faz parte desta 4ª revolução.

E a indústria 4.0 é justamente aquela que está preparada, do ponto de vista tecnológico, para atender o mercado em todos os seus processos; desde os e-mails até a logística. Desde a linha de produção na fábrica até as tomadas de decisão, na gestão de crise e análises de risco. Tudo isso com o auxílio da tecnologia e de ferramentas digitais.

O fluxo de informação precisa de uma infraestrutura digital com banda larga e rede móvel ilimitada para não se tornar uma barreira de desenvolvimento e gestão. Além disso é fundamental ter:

  • Em toda a cadeia de produção é fundamental ter dispositivos inteligentes, interconectados de modo digital,  do escritório à logística das fábricas;
  • Cada vez mais os robôs desempenham funções complexas, por isso investir em capacitação dos funcionários para trabalharem junto com a inteligência artificial irá fazer a diferença;
  • Ter conhecimentos em data science, big data e IoT (Internet das Coisas) é fundamental, ainda que não seja sua área específica de atuação. Afinal, a tendência é que em algum momento tudo se integre ao mercado, independente de segmento ou área de atuação.

A digitalização das atividades industriais é algo que deve fazer parte da essência de toda indústria; sem isso não tem como acompanhar o mercado.

Investir em tecnologias de sensores e equipamentos com conexão integrada é outro passo que não é mais considerado de futuro mas de presente. A atual crise pandêmica no mundo acelerou ainda mais as coisas. A fusão entre o mundo real e o virtual já aconteceu e quem não se adaptou está sofrendo maior impacto agora.

Em um mundo onde já vemos portas se abrirem sem a necessidade de chaves, leitura ótica da íris, reconhecimento facial, carros autônomos, fica também difícil ditar o que é tendência. A velocidade com que a tecnologia tem tomado conta de tantos mercados exige adaptação e agilidade por parte dos gestores. Talvez pela visão mais aberta sobre o futuro, de modo geral, investidores e startups estão mais conectados e surfando essa onda com propriedade.

Já temos robôs em linhas de montagem há um certo tempo; afinal o que são as máquinas nas linhas de produção, que não robôs operados por profissionais da área de robótica, engenharia, tecnologia e áreas correlatas?

Desafios para se adequar a 4ª Revolução Industrial

Um dos maiores desafios, por incrível que possa parecer, é fazer alguns donos de empresas e indústrias entenderem que a Indústria 4.0 não é simplesmente ter computadores que se comunicam. Ou seja, a resistência dos donos de grandes corporações e de pequenos empresários em inserir novas tecnologias é fator determinante para acompanhar a tendência de mercado; e fazer essa roda girar. Além disso tem também as barreiras burocráticas e o receio de mudanças, muitas vezes por falta de informação.

Incentivo fiscal por parte dos governos e o investimento no desenvolvimento em ciência e tecnologia interna são também desafios enfrentados para reduzir custos e não precisar buscar essa tecnologia fora do país para ter ganhos em eficiência e produtividade frente aos seus principais concorrentes.

Outro ponto é a dificuldade de linhas de crédito para investir; e a falta de mão de obra qualificada na substituição do ser humano pela máquina. Ou seja, ter pessoas capacitadas para operar as máquinas é algo que merece também uma atenção por parte dos empresários.

Em um futuro próximo, a operação remota das máquinas irá se fazer mais presente; e aqui vale a ressalva que algumas máquinas já são operadas a distância sem a necessidade de uma pessoa junto a ela. Logo, a capacitação dos profissionais será fator determinante.

Em toda a história das revoluções industriais o avanço tecnológico deu um salto, mas a que vivemos tem sido o mais alto ou mais rápido já visto entre as 4. Os ganhos operacionais e de eficiência são inegáveis, assim como os desafios dos impactos sociais que as mesmas causaram e causam, promovendo a substituição de máquinas as funções humanas; surgindo então a necessidade de reinvenção intelectual da produção operacional.

Existem também questões de ordem regulatória quanto a proteção intelectual e a adequação de normas. Os desafios são muitos, mas todos possíveis de serem superados.

Oportunidades da indústria 4.0

A medida que o ecossistema de inovação avança, fortalece o surgimento de empreendimentos resistentes às crises macroeconômicas.

Por isso a visão é otimista no cenário 4.0 quanto a investimento e inovação em novos formatos de linha de produção, por exemplo. Para isso será necessário criar programas para facilitar a conexão entre tecnologia e setor comercial, em especial entre países que lideram esse conhecimento tecnológico.

Por fim, é importante ressaltar que na indústria 4.0, tecnologias disruptivas promovem novos modelos de negócio com menor custo e risco e maior produtividade e poder de investimento; se tornando assim potências no enfrentamento de crises. Com isso podem ainda contribuir na recuperação econômica em situações agudas e de imprevistos, com maior poder de adaptabilidade e resiliência.

Publicado em 01 julho de 2020

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